quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os sonhadores

Adaptação cinematográfica de um romance de Gilbert Adair, “Os Sonhadores” é uma ótima realização do cinema italiano, uma jóia muito bem lapidada que, abusando do conhecimento cinematográfico, da sensualidade e sexualidade, precisava ser desenvolvida por alguém muito sensível e inspirado para dar certo.

Bernardo Bertolucci conseguiu: com sua genialidade, tratou com tamanha sutileza os temas delicados propostos pelo roteiro que transformou o filme em uma belíssima obra de arte, uma viagem e resgate à ideologia dos anos 60, um poema de amor ao cinema.

Como plano de fundo para uma intrigante e envolvente história de jovens cinéfilos e sua paixão incondicional por filmes, temos o tumultuado cenário político que reinava em Paris no ano de 1968. Em meio à uma revolta contra ministro da cultura devido a deposição de Henri Langlois na Cinémathèque française, Matthew, um estudante americano aprendendo Francês em Paris, acaba conhecendo e ‘apaixonando-se’ (como o mesmo diz) por um casal de irmãos, Theo e Isabelle, que possuem idéias semelhantes à suas, além do principal ponto em comum (o amor pelo cinema), e aparentemente um íntimo relacionamento, que mais tarde descobre-se ser equilibrado em jogos de cinema e sexualidade, nos quais o mesmo acaba envolvido, desenrolando assim uma relação à três em meio à agitação, movimentos e protestos.

Apesar de ser aparentemente o personagem principal do filme, o personagem de Michael Pitt em nada se compara à maestria com que Louis Garrel e Eva Green interpretam o casal de irmãos.

O personagem de Louis é bonito, manipulador e inteligente, esbanja estilo, permitindo à Garrel ter uma participação muito mais fundamental na película, enquanto a bela Isabelle, personagem da não menos fabulosa Eva Green, é ao mesmo tempo sensual e erótica, romântica e misteriosa, mas acima de tudo extremamente envolvente, nos transportando ao seu íntimo peculiarmente, de forma que ao passo que o relacionamento do trio se torna cada vez mais tórrido, o desenvolvimento de algumas características psicológicas fazem com que esta se torne cada vez mais intrigante.

Num primoroso trabalho de direção e edição, Bertolucci ainda insere inúmeros documentos de arquivos, como trechos de filmes dos anos 60, bem como, músicas de Françoise Hardy, Jimmy Hendrix, Eric Clapton, Janis Joplin, entre outros, oque nos remete à máxima absorção de conteúdo e envolvimento, além das várias e ousadas cenas de nudez dos três principais atores, que estão ótimos em suas respectivas atuações, tornando o filme tão bonito fisicamente falando quanto estética e ideologicamente.

Um colírio para os olhos, um filme que pega um conflitante cenário e ensaia nele uma ardente história de amor, acabando por provocar o público e ao mesmo tempo passar uma sensação de tranqüilidade. O resultado é completamente surpreendente!

Crítica: Teehschwarz/Cinema e Afins

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