domingo, 6 de maio de 2012

Nem tudo

Uma estrada, um olhar e todos os problemas, todas as loucuras, todas as pessoas e todos os amores seriam apenas quilômetros perdidos, quando me faltasse a lucidez.

domingo, 29 de abril de 2012

Ao fundo, ao mundo

O vento
E o tempo
A noite desenhada
Não como esperada
Olhares
Vários olhares
E um jovem só
Um lugar pra chamar de seu
E a falta dele
Não tinha o amanhã
O tempo
O vento
A mulher
O olhar
O toque
O beijo
A ausência
E mais um dia
Mais uma noite
Em algum lugar do mundo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

T de ter, S de ser


E eu teria todas as manhãs
Todos os olhares
Todas as pessoas
Todos os lugares
E quando todos me faltassem
Teria o tempo
Teria o sorriso
Teria a chuva
Teria o amor
E enquanto eu tiver
Tiver a vida
Terei você
E serei feliz.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

De volta ao leito da terra

Reduzidos a um cubículo
Era apenas um momento
O último
O primeiro
E todos os olhares voltados a você
E todas as pessoas
E todos os momentos que viveram
Os amores
Os beijos dispensados a uma pessoa
Ou várias delas
As coisas que nos permitimos viver
E o que deixamos de fazer de fato
Lágrimas, o silêncio profundo
Pessoas cortariam as unhas
Ririam no cinema
Outras tomariam banho
Ou se emocionariam com seu primeiro amor
Milhares delas nem saberiam o fim que tomei
Várias delas que estiveram comigo em alguma parte do tempo
E não puderam se despedir adequadamente
E aquelas vezes que fomos orgulhosos
Que brigamos sem motivo
Que deixamos de nos desculpar
De abraçar
De dizer a alguém, eu te amo
Serão apenas momentos que passaram e não existiram
E a morte, há a morte
Seria um triste ensaio sobre a vida
Ou a falta dela.

domingo, 15 de abril de 2012

Mais um olhar, mais uma noite

Loucura
Pulsante e viva
Tirei ela de lado
Disse a ela que era a melhor da noite
Me fitou por um tempo
Abriu um sorriso sereno e safado
Disse quem era
Me olhou mais um tempo
E lá estávamos
No jogo de bocas e corpos
Nos pegamos ali mesmo
Trepamos loucamente como nunca antes
Ela sorriu
Eu também
E a vida seguiu seu fluxo.

sábado, 14 de abril de 2012

Poema para a mulher da minha vida

Nos conhecemos a 24 anos atrás
Você me deixava seguro
Me protegia do frio
Contava histórias pra mim todas as noites
Dizia que eu teria um belo futuro
Me mostrava para todas as amigas
Para suas irmãs
Me apresentou até pros seus pais
Me colocou pra dormir
Vigiou meu sono
Cuidou de mim quando estava doente
Deixou de comprar as melhores roupas
Os melhores sapatos
Desistiu de alguns sonhos, para que eu pudesse sonhar
Me educou
Me ensinou a ser homem
Me fez chorar em várias noites
Me fez sorrir em milhares delas
E mesmo que eu conhecesse mil mulheres
Nem uma me olharia com tanto amor
Nenhuma deixaria sua vida para que eu vivesse a minha
Você é mais que uma mulher
É mãe, e o grande amor da minha vida
Te amo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Porta jóias

Hoje pego um caderno
Não tenho mais as letras que se foram
Não tenho palavras
Nem declarações de amor
Não tenho sorrisos
Nem lágrimas
Sou só um garoto
Errante
As vezes louco
As vezes gênio
Um pequeno pedaço de nada
E de tudo
Espelhos
Sons
Pessoas que vem e vão
E deixam e ficam
E partem e voltam
Deixam tudo como está
E tudo volta a ser dia
No dia em que vi
Em que olhei
Em que pensei
Em te ver
E se foi
E é fim.
E é sim
Assim que o tempo acabar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Neblina e pecado

Poderia ser tudo diferente
Sentei mais uma vez na cadeira
Um copo
Um corpo
Uma noite estranha
Lá fora o mundo seguia seu fluxo
Falta de líbido
Libertinagem
As relações humanas acontecendo
Poderia ser tudo diferente
Mas era apenas
Um copo
Um corpo
E mais uma noite estranha
Em algum lugar do mundo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Desatento

Olhar vago
A verdade no ar
Um dia
Outro dia
Uma vida
Outra vida
Um cara
Uma história
E a vontade intensa de viver
Momentos lúcidos ou loucos
Olhei pela janela
E notei
Tinha um mundo todo
Só pra mim.

domingo, 1 de abril de 2012

Busca

Um cubículo, e um jovem, morte e vida, não era Severina, morte e vida, a tela azul, a pedra de gelo, o olhar, vazio, o olhar, eu olho, e componho as frases que parecem sem sentido, já não me expresso tão bem como antes, já não sei de fato o que quero, mas era uma noite quente, era um lugar do mundo, e eu era um jovem, um jovem que cria histórias pra tentar justificar e mudar a sua.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sozinho na multidão

Hoje tinha poucas palavras
Uma frase
Um verso
Um momento
Um quarto
Poucas ideias
Cansaço
O corpo pesaroso
Quase morto
Me sirvo um copo de vida
Me alcoolizo
Respiro o ar que entra pela janela
E caio em sono profundo
Mais 24 horas
E um dia lúcido pra começar tudo novamente.

terça-feira, 27 de março de 2012

Um olhar, uma noite

Todos os dias
Todas as horas
E todos os olhares
Serão apenas
Momentos
Quando não estiver comigo.

sábado, 24 de março de 2012

Sempre, nunca

Três dedos e duas pedras de gelo
O olhar fixo para ela
Toco os cabelos e passeio por teu rosto com as mãos
Um gole do meu destilado favorito
Minha boca na dela
O cheiro da sua pele me atingia
Ela se serve de uma também
Solta o vestido e o deixa cair no chão
No seu corpo me encontro
E me perco
Ela dança com a alma
Desfila a beleza diante de mim
Deixo o copo de lado
As relações humanas acontecem
Eu e ela
E o ciclo vicioso de uma vida toda
Beber
Trepar
E amar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

7 letras e 7 dias

Surgiu serena como a noite
Não era de cabelos que ela vinha
Era de uma pureza extrema
Quase contestadora
O sorriso surgiu nos primeiros dias
Momentos
Segredos
E a vontade louca de estar
Ela tinha algo no fim daquele sorriso
Um lance único e inigualável
Tinha um jeito de falar
De olhar
De esconder o rosto com os cabelos
A maneira impar de mexer os lábios
E de sentir
E eu sentia
Que não era o tempo que passava pra ela
Era a vontade louca
De viver
E vivendo
Veria mais um ano
Acordaria cedo
Olharia pro lado
E teria finalmente
Um feliz aniversário.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Big Bang

Então era isso
Sentar e esperar o próximo grande momento
Dias
Dias
Noites
Noites
E o fluxo constante de vida
Vida que agora era diminuta
O barulho das teclas
O vento vindo da janela
E um olhar
O último
E mais uma noite
A primeira
E mais uma história
A minha.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Citações - Parte 14

Construa uma bomba atômica mas não tente formar consciência.

Citações - Parte 13

A quantidade de doses é importante, mas a maneira como sai da cadeira quando termina ou o sorriso que da quando cai são essenciais.

Citações - Parte 12

E os bares continuam ali e nós continuamos lá.

Ápice

Levantei-me de cima das minhas bolas e sai andar, finalmente o mundo voltava a conversar comigo e eram conversas agradáveis.

sábado, 10 de março de 2012

Pedra no sapato

Sentei ali pra olhar, já não via mais as relações acontecendo, nós, os humanos tínhamos perdido a essência, não conseguíamos mais manter contato físico por muito tempo, nos tornamos projeções de redes e meios sociais, e isso piorava a cada dia, cada vez mais eu notava o distanciamento acontecendo, todo mundo era um grande camaleão, que se deixava levar pela companhia e perdia-se em si mesmo porque não se sustentava como um ser que pensa, levantei, sentei em outra mesa e a mesma coisa aconteceu, pensei nas vezes que me sentei na calçada e conversei por horas sem me preocupar com meus emails e com quem me seguia ou quem me curtia, e entendi que o mundo tinha mudado, e não era para melhor.

Zona morta

Sentei meu rabo na cadeira e comecei a escrever, tinha vivido umas histórias loucas
nesses dias e buscava um equilíbrio onde não existia, projetava a pessoa ideal, o melhor bar, a melhor companhia, as boas noites sorrindo enquanto olhava pra alguém, era um movimento circular, quase doentio que me afogava nos pensamentos mais incabíveis possíveis, levantei meu rabo da cadeira, agora escrevia de pé, enquanto andava pelo quarto na noite que corria firme lá fora, os cães uivavam, as gatas gritavam seu cio, e eu diminuto, entre papéis e estrelas, vendo queimar, queimar e queimar, não era o tempo que ia embora, era minha vida, enquanto eu terminava as frases. Um milagre, era o que eu precisava essa noite.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O artista

Como já previsto, a produção franco-americana dirigida pelo francês Michel Hazanavicius e estrelada por John Goodman, Berenice Bejo, um cachorro adorável e o já citado Jean Dujardin; é um filme mudo. Isso significa que possui todos os elementos presentes no cinema realizado em Hollywood no início do século XX. Elementos como a câmera parada, diálogos em caixas de texto, fotografia em preto e branco, planos de câmera básicos, atuações exageradas e a trilha sonora constante na ação dos personagens.

No ano de 1927, o grande astro do cinema mudo George Valentin, estreia mais um de seus sucessos. Mas com a ascensão do cinema falado e da jovem atriz Peppy Miller, o ator e o estilo cai em decadência. Perpassando alguns fatos históricos como a queda da bolsa de 1929 e o surgimento de novas técnicas de captação de vídeo, o filme mostra de forma divertida e emocionante a decadência do cinema mudo, bem como seus artistas que caíram no esquecimento. Dujardin fisicamente e profissionalmente, possui o perfil para o personagem, com uma construção bem elaborada de trejeitos e ações. Com destaque para o cachorro, amigo de Valentin, que em muitos momentos rende risos e comoção por sua "atuação". John Goodman é a famosa figura dos produtores de estúdio.

A produção explora todas as características do estilo, com direito a uma trilha bem desenvolvida por Ludovic Bource, ganhador do Globo de Ouro e indicado ao Oscar. Aliás, a narrativa também possui "quebras" na estética. Durante um pesadelo, Valentin vê o mundo com sons: copo que bate na madeira, o cachorro latindo, mulher rindo uma pena caindo no chão. Neste momento, os planos e a movimentação da câmera também modificam, sinalizando uma mudança na perspectiva. Essa não é a única quebra na narrativa. No encerramento do filme, uma cena mostrando o início dos musicais. Mas desta vez, falado. Sim, o longa encerra com diálogos e em diferentes planos de câmeras. Podendo ser visualizado o travelling e uma mudança na forma de produção.

Com um conjunto de elementos característicos do cinema e através da metalinguagem, O Artista é uma homenagem aos artistas do cinema mudo e à história do cinema mundial.

Crítica: Thais Nepomuceno/Cinepop

Afeto

Blusa simples
Olhar distraído
Nem sempre se vive de cabelos
Orelhas também falam
Tem sua própria linguagem
Muda e serena
Orelhas
Tenho dentes que as vezes são brancos
Fechos os olhos que me fazem ver cores
Cores que rabisco
Quando chove
Observo
O que não deve ser visto
Do sorriso mais puro
Ao olhar mais sinistro
As vezes surge um sorriso
As vezes até mais que isso
Borboleta
Elefante
Ou talvez grilo falante
Dou asas ao que vivo
Dou pernas ao que escrevo
Sou criança nesse mundo
Em que tudo vai mais cedo
Amanhã eu contarei
O que você jamais ouviu
Não pense que acabou
Só porque você não viu
Eu preciso acabar
Mais uma poesia
Antes que o dia seja noite
E a noite seja dia

terça-feira, 6 de março de 2012

Bande à part

E lá estava ela
Surgiu da noite
Lembrava as vanguardas francesas
Tinha um olhar sereno
Lábios vermelhos
Que diziam tanto
E nada diziam
Noites se seguiram
E com elas várias coisas aconteceram
Ninguém cantava nas madrugadas como ela
Tinha um jeito único de mexer com as mãos
E de tentar encontrar a pureza onde não existia
O momento mais comum
Se transformava num momento eterno
Sorria com o rosto
Ali tinha verdade
Paciente
Sempre paciente
Foi atingida
Diversas vezes pela vida
Passou dias nem tão serenos
Tatuou o braço e carregou tênis neles
Era um M
Era uma mulher
Que também chorava
Mas escondia as lágrimas
Porque seu sorriso
Era o que melhor tinha pra dar
Todas as linhas ficariam curtas
Se a linha que nos une se apagasse
Porque viver com você
É viver.