segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Milan Kundera

Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto.

O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica.

Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967.

Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975.

Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

Obra
Em seu primeiro romance, "A Brincadeira", Kundera faz uma sátira da natureza do totalitarismo do período comunista. Por força de suas críticas aos soviéticos, Kundera foi adicionado à lista negra do partido e suas obras foram proibidas imediatamente após a invasão soviética.
Após se mudar para a França, Kundera escreveu O Livro do Riso e do Esquecimento no ano de 1979. Constituindo-se de uma inusitada mistura de romance, contos curtos e ensaios do próprio autor, o livro ditou o tom de suas obras pós-exílio.

No ano de 1984, Kundera escreveu A Insustentável Leveza do Ser, seu trabalho mais popular. O livro é como uma grande crônica acerca da frágil natureza do destino, do amor e da liberdade humana. Mostra como uma vida é sempre um rascunho de si mesma, como nunca é vivida por inteiro, como o amor pode ser frágil e como é impossível de repetir-se. A obra, sucesso de público e crítica, ganhou sua versão cinematográfica no ano de 1988. Porém Kundera proibiu, a partir de então, a adaptação cinematográfica de seus outros livros.

Em 1990 Kundera escreve A Imortalidade. O romance é o mais "cosmopolita" até então, sem situar o enredo dentro do universo social e político da República Checa como fizera até então. Possui um conteúdo explicitamente filosófico e pode-se dizer que é o início de uma segunda fase da obra do autor.

Kundera reafirma publicamente que deseja ser entendido como um romancista em termos gerais, não um escritor político. É notório que o conteúdo político foi, a partir de A Imortalidade, substituído pela temática filosófica. O estilo de Kundera, entrelaçando digressões e ensaios filosóficos é grandemente inspirado em Robert Musil, Henry Fielding e na prosa do filósofo Friedrich Nietzsche.

Principais obras
Contos
Risíveis Amores (1969)

Ficção
A Brincadeira (1967)
A Vida Está em Outro Lugar (1973)
A Valsa dos Adeuses(1976)
O Livro do Riso e do Esquecimento (1978)
A insustentável leveza do ser (1983)
A Imortalidade (1990)
A Lentidão (1995)
A Identidade (1998)
A Ignorância (2000)

Teatro
Jacques e seu mestre, homenagem a Denis Diderot em três actos (1981)
Ensaios
A Arte do Romance (1986)
Os testamentos traídos (1993)
A Cortina (2005)
Um encontro (2009)

Citações
Os arquivos da policia são nosso único passaporte para imortalidade.

O homem, essa criatura que aspira ao equilíbrio, compensa o peso do mal com que lhe partem a espinha, com a massa do seu ódio.

São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência

A unicidade do "eu" se esconde exatamente no que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar o que é idêntico em todos os seres, o que lhes é comum. O "eu" individual é o que se distingue do geral, portanto o que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, o que precisa ser desvendado, descoberto, conquistado no outro.

Tinha lágrimas nos olhos e estava infinitamente feliz por ouvi-lo respirar a seu lado.

O homem pode por fim à sua vida, mas não à sua imortalidade

Olho no olho

Ele a pegou pelos cabelos e a beijou furtivamente.

Ela a olhou com seu olhar mais débil e doce e sorriu.

Seria mais uma daquelas noites que os dois se encontrariam e se perderiam um no outro, ele a olharia por alguns instantes e a beijaria novamente.

Era tudo como um jogo, de olhar e silêncio, as bocas e os corpos se tocavam e nada precisava ser dito, ela fazia seu jogo, ele o dele. Ambos sabiam jogar, já tinham jogado aquele jogo por diversas noites.

Ele a despiu, ela fingia resistir, movia seu corpo de maneira desenfreada, ele apertava seus braços e terminava o que tinha começado.

Ela se sentou a sua frente, branca e nua. Fechou as pernas, depois as abriu. Ele delirava com cada movimento dela. Ela sabia como ninguém como se mexer, já tinha treinado milhares de vezes movimentos, ela sabia como mexer com ele.

Ela se levantou e mexeu seu corpo na sua frente, como se o convidasse a viver algo que jamais pensou que poderia viver.

Sentou no seu colo, tirou sua camiseta, eram sete botões, a cada botão que tirava lhe dava um beijo.

Abriu também o botão da calça e depois o zíper e completou a nudez do rapaz.

Era só um jogo de olhares e corpos.

Ambos levantaram, ela primeiro, ele depois, caminharam até a cama. Deitaram-se juntos, desnudos, um de frente pro outro.

E se olharam por horas, até o dia nascer de novo.

Citações - Parte 10

Só encha o saco de alguém se tiver fôlego pra soprar até o fim.

Precisamos falar sobre o Kevin

Baseados nos preceitos cristãos, o início da vida terrestre é marcado pela teoria do criacionismo, onde Deus teria criado o primeiro homem e a primeira mulher para viverem juntos no paraíso, com uma única proibição: não comer o fruto do conhecimento. A partir do momento que a mulher rouba um fruto, iludida pelo diabo, cai sobre ela o peso de ter cometido o primeiro pecado e ter condenado a humanidade, razão pela qual as mulheres foram rebaixadas na sociedade teocrata. 

Eva, a primeira mulher, seria mesmo o receptáculo da maldade? Merece essa pobre alma tamanho descontentamento com suas ações? Errar é humano. Passando para o presente, temos outra Eva: Eva Katchadourian (Tilda Swinton) mora numa casa sozinha, com vizinhos que a odeiam e jogam coisas em seu carro e nas suas paredes e está cercada por pessoas que lhe evitam. Mas ela era uma mulher feliz, dona de uma agência de viagens e apaixonada por seu companheiro, Franklin (John C. Reilly). 

Quando Eva tem seu primeiro filho, Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller), a experiência não é nada como ela esperava. Enquanto o filho permanece um anjo na presença do pai super protetor, quando ele está sozinho com a mãe, Kevin mostra quem ele realmente é e o que realmente pensa. Durante os 110 minutos da sessão assistimos a transição do passado e do presente de Eva e o que ocorreu para que ela acabasse nessa situação.

Para primeiramente aceitar todo o discurso de Precisamos Falar Sobre o Kevin é preciso sentir as duas partes do problema. De um lado há os vizinhos cheios de raiva e ódio por um ato que modificou a vida de famílias. A culpa nesse caso é da mãe, aquela que ensinou tudo ao filho, certo? Esse é o lado que sempre se verifica para dar peso às notícias, mas nessa obra de Lynne Ramsay vê-se o outro lado. É contada toda a história da mãe, e isso de uma forma completamente distante do maniqueísmo usual. 

Não há bom e não há mal na história de Eva, aliás, como ela pode condenar de uma forma tão pesada seu próprio filho? Desde o nascimento de Kevin, percebe-se um ódio mútuo entre o filho e a mãe, mas o mesmo tipo de ódio que o mundo sente por Eva após os atos de Kevin? Eva odeia o filho, mas ainda assim é seu filho. Ela deu a luz a ele, ela faria qualquer coisa para ele, ela ainda vê esperança no menino rude, no garoto malvado, em seu filho desregrado. Kevin, ao mesmo passo, detesta a mãe, mas não há amor nesse ódio? Em closes bem colocados e flashbacks, o filme vai conduzindo a plateia da melhor forma até o desfecho, com a ótima direção da escocesa Lynne Ramsay.

Com saltos no tempo constantes, o filme baseado no best-seller de Lionel Shriver capta o protagonismo da mãe e o antagonismo do filho toda hora. Kevin critica a mãe e essa é sua verdadeira essência. Numa cena, o jovem delinquente interpretado por Jasper Newell se mostra irado com a mãe. Ao ouvir o menor sinal do pai, sua faceta muda para um jovem brincalhão e angelical, o tom de voz se torna mais vivo, seus gestos menos controlados. O jovem Kevin fez um trabalho maravilhoso na construção do personagem. Por mais caricato que esteja sua distinção entre o jovem comportado e o jovem zangado, dá pra se notar o teatro que ele faz com a vida real. 

O que faz Kevin mostrar seu verdadeiro eu para a mãe e fingir-se para o pai? O Kevin adolescente é diferente. Enquanto a criança se distingue entre os pais, o adolescente não mostra mais distinção. Sua indiferença com o mundo é geral, mas as lembranças ainda o tornam a mesma pessoa para cada um: para o pai, a criança interessante que virou o adolescente rebelde e divertido. Para a mãe, um pequeno exemplo de psicopata que virou um grande exemplo de psicopata. E Ezra Miller está ótimo fazendo sua linha do jovem pragmático, paciente e extremamente maléfico.

Ao longo da fita, temos a atuação contrastante com a de Kevin. Não, não é John C. Reilly, que faz um personagem tipicamente norte-americano, mas a desconfiada Tilda Swinton, numa performance de deixar cair o queixo de qualquer desavisado. Ao mesmo tempo que o crescimento de Kevin é explorado no passado, lida-se com o presente vivido por essa mulher sofredora, que tenta reconstruir sua vida social. O único problema seria o social, que não permite o monstro voltar a ter sua vida anterior. É com a mesma indiferença de Kevin junto a uma tristeza profunda que ela constrói a mulher fragmentada, a mãe que perdeu tudo o que tinha, uma "intocável" na sociedade ocidental. Para continuar marcando o filme, há a presença da trilha sonora de Jonny Greenwood e a fotografia bastante avermelhada e escura de Seamus McGarvey.

Até qual ponto a educação paterna influencia nas atitudes filiais? Chega de falar apenas do Kevin, também é preciso fala de Eva. Durante toda a sessão somos apresentados à uma metáfora incessante da família feliz norte-americana, um casal que se dá bem com dois filhos perfeitos. E desde quando existe tamanha perfeição assim? Tirando as máscaras, Eva é uma receptora para aquilo que os outros não veem. Ela realmente percebe o que há implícito naquele que ela deveria amar e, mesmo com atitudes de rejeição e nojo com o seu filho, a realidade da mãe ainda é certa: ela crê no Kevin até o fim. Tilda Swinton está soberba em sua performance de Eva Katchadourian. E essa pecadora - que admite esse seu defeito -, devido aos delitos que cometeu ou não, se tornou uma santa com o dom da redenção. Uma santa que teve uma viagem direta ao inferno que seu primogênito fez questão de lhe preparar.

Crítica: Gabriel Neves/Crítica Mecânica

Europa

Eramos brancos
E jovens
Uns mais brancos
Outros menos jovens
O espanto causado
O sorriso angular
depois de um tempo
Já tinhamos Godard
Acossados e despreziveis
Filmes bem acompanhados
De belas e brancas pessoas
Jean e Jean
Os belmondos
E as sebergs
Karinas as vezes
Entre taças
e Calices
Os vinhos transbordavam
E a verdade aparecia
Despretenciosa
E lúcida
E tornava assim
Um dia comum
Em um dia agradável
Somos todos almas brancas
Somos.

Citações - Parte 9

Ficar quieto é sempre melhor do que falar merda.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Marquês de Sade

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, (Paris, 2 de junho de 1740 — Saint-Maurice, 2 de dezembro de 1814) foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava na Prisão da Bastilha, encarcerado diversas vezes, inclusive por Napoleão Bonaparte. De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.

Filosofia
Além de escritor e dramaturgo, foi também filósofo de ideias originais, baseadas no materialismo do século das luzes e dos enciclopedistas. Lido enquanto teoria filosófica, "o romance de Sade oferece um sistema de pensamento que desafia a concepção de mundo proposta pelos dois principais campos filosóficos no contexto da França pré-republicana: o religioso e o racionalista".[3] Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos - na concepção moderna do termo.

Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade - como por exemplo o "Princípios da Moral e Legislação" de Jeremy Bentham- uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os "bons costumes" da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance 120 Dias de Sodoma, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos - verdadeiro mergulho nos infernos.

Obras de Sade
Duas personagens criadas por Sade foram suas idéias fixas durante décadas: Justine (que se materializou em várias versões de romance, ocupando muitos volumes), a ingênua defensora do bem, que sempre acaba sendo envolvida em crimes e depravações, terminando seus dias fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa, e Juliette, sua irmã, que encarna o triunfo do mal, fazendo uma sucessão de coisas abjetas, como matar uma de suas melhores amigas lançando-a na cratera de um vulcão ou obrigar o próprio papa a fazer um discurso em defesa do crime para poder tê-la em sua cama.

As orgias com o papa Pio VI em plena Igreja de São Pedro, no Vaticano, fazem parte da trama sacrílega e ultrajante do romance Juliette, com a fala do pontífice transformada em agressivo panfleto político: A Dissertação do Papa sobre o Crime. Sade tinha o costume de inserir panfletos político-filosóficos em suas obras. O panfleto Franceses, mais um Esforço se Quiserdes Ser Republicanos, que prega a total ruptura com o cristianismo, foi por ele encampado ao romance A Filosofia na Alcova (Preceptores Morais), no qual um casal de irmãos e um amigo libertino "educam" a jovem Euginè para uma vida de libertinagem, mostrando-lhe aversão aos dogmas religiosos e costumes da época.

Surrealismo e psicanálise
Tanto o surrealismo como a psicanálise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em A Idade do Ouro, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de Os 120 dias de Sodoma. O sadismo também está explícito nas imagens mais surrealistas produzidas por Buñuel, como a navalha cegando o olho da mulher em O Cão Andaluz. Também há fortes referências sadianas em A Bela da Tarde e em Via Láctea, no qual aparece uma Cena em que Sade converte uma indefesa menina ao ateísmo. A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Genet, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses.

Questão da homossexualidade
A questão da suposta homossexualidade de Sade ("Terá sido Sade um pederasta?") foi formulada pela escritora francesa Simone de Beauvoir no clássico ensaio 'É preciso Queimar Sade? - Privilégios'. A autora conclui pela heterossexualidade de Sade, que sempre amou mulheres tolerantes a suas aventuras, embora tivesse um comportamento sexual atípico, defendendo o coito anal e chegando a pagar criados para sodomizá-lo publicamente em suas orgias, das quais a primeira mulher, Renné de Sade, teria participado. Atualmente, estudiosos da cultura e da literatura, como o sociólogo Ottaviano de Fiore, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), compartilham a opinião de Simone de Beauvoir, creditando o comportamento e a imaginação literária do autor de '120 Dias de Sodoma' a neuroses relacionadas a parafilias, como o gosto pelo lixo e pela sujeira, que na ficção sadeana desembocam na apologia do crime e na erotização da fealdade e das mais atrozes torpezas.

"A crítica que faço à pergunta de Simone de Beauvoir é que, posta em sua época, ela remete à visão de seres humanos descontínuos,isto é, não vê, como atualmente se vê, um continuum humano, mas vê um mundo repartido em que gays e outras minorias seriam descontínuos em relação a um padrão de ser humano dito normal, isto é, o gay seria o outro, que não partilharia da mesma condição humana, ponto de vista hoje considerado preconceituoso e racista, pois o padrão de ser humano mudou", afirmou Ottaviano de Fiore.

Velhice e legado
Na velhice, já separado de Renné, sua primeira mulher, mas, como sempre, preso por causa de suas idéias e de seu comportamento libertino, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que mudou-se com ele para o Hospício de Charenton. Nessa época, sob o olhar tolerante de Marie-Quesnet, enamorou-se da filha de uma carcereira que tinha 14 anos quando o conheceu. Todos esses fatos estão rigorosamente documentados por Gilbert Lely, o mais importante biógrafo de Sade, compilador de suas cartas e autor do clássico 'Vida do Marquês de Sade'.
Sade morreu aos 74 anos, amado por duas mulheres, com quem planejava produzir peças teatrais pornográficas quando um dia saísse do hospício.

Obras do autor
Ilustração do seu livro Juliette em 1800.
Justine
Juliette de Sade
Zoloe e suas Amantes
O Estratagema do Amor
Os Crimes do Amor
A Filosofia na Alcova
Contos Libertinos
Diálogo entre um Padre e um Moribundo
Os 120 Dias de Sodoma
A Crueldade Fraternal
Os Infortúnios da Virtude

Cinema
Marat/Sade, de Peter Weiss (1966).
Justine e Juliette (1968)
Filosofia na Alcova (1969)
De Sade (1969)
Saló ou 120 Dias de Sodoma (1975).
Paixão cruel (1977)
Marquis (1989)
Princesa negra (1996)
Sade (1999)
Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)
Lunacy (2005) do diretor Jan Švankmajer.

Citações
Quando o ateísmo quiser mártires, que o diga, o meu sangue está pronto.

O meu maior desgosto é que Deus, na realidade, não exista, privando-me assim do prazer de o insultar mais positivamente.

As paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir os seus fins.

A tolerância é a virtude do fraco.

Tudo é bom quando é excessivo.

Antes ser um homem da sociedade, sou-o da natureza.

Todo o universo poderia ser conduzido por uma única lei, se essa lei fosse boa.

...e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes.

Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, por que eu não mudarei.

Citações - Parte 8

O melhor momento da sua vida, é quando você percebe que quer viver pra sempre aquele momento.

Caminhando

Duas pernas
Andando e cruzando
O caminho do homem bom
O caminho sem fim
Que dá em algum lugar
Duas pernas
Que se cruzam e se abrem
Antes de uma trepada
Duas pernas
Que se diminuem na penumbra do quarto
Quando se está sozinho
Duas pernas
A maioria de nós as tem
A minoria de nós sabe usá-las corretamente
Duas pernas
E a pena que tenho
De sermos somente pernas as vezes
De sermos as pernas
Que dão pena
Quando só somos
Pernas.

Citações - Parte 7

Só coloque no copo o que conseguir tomar.

Snatch - Porcos e Diamantes


Guy Ritchie dirige mais rápido que ninguém. Ele te leva de Nova York a Londres em menos de dois segundos. É mais ou menos assim: Cena 1. Táxi amarelo pelas ruas da Big Apple. Corta. Avião sobrevoando o mar. Corta. Homem sentado na primeira classe. Corta. Close no passageiro virando um copo de uísque. Corta. Carimbo da alfândega no passaporte. Corta. Pronto! Estamos no velho mundo.

É nesse ritmo alucinante e empolgante que testemunhamos as encrencas do submundo londrino em Snatch - Porcos e Diamantes, seu segundo longa. O diretor, que ganhou fama mundial no ano passado ao juntar os trapos com a rainha do pop Madonna, estreou em 1998 com o espetacular e cômico Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998).

Assim como Quentin Tarantino, um dos mais celebrados cineastas dos anos 90, Ritchie tem a sua fórmula. Cortes rápidos e secos - herança da sua experiência como diretor de videoclipes -, personagens extremamente caricatos, cores levemente saturadas e histórias que se entrelaçam são algumas das suas armas para entreter o espectador.

Se em Jogos, Trapaças os personagens normais apenas fazem uma pequena visita ao perigoso mundo do crime, em Snatch os protagonistas são o próprio submundo.

O filme começa com o roubo de um diamante gigantesco em Londres. O ladrão Franky Four Fingers, interpretado pelo ganhador do Oscar de ator coadjuvante Benicio Del Toro, tem uma missão: levar a preciosa pedra para Nova York. Viciado em jogo, Franky não resiste quando fica sabendo que pode apostar numa luta ilegal de boxe.

Enquanto isso, Turco (Jason Statham), um inexperiente promotor, se deixa atrair pelos perigos do pugilismo sem luvas. Ele acerta um luta com Brick Top (Alan Ford), o chefão do crime local e temido criador de porcos. Devido a um imprevisto, o lutador do Turco fica impossibilitado de subir ao ringue e tem que ser substituído. A esta altura o cigano Mickey (Brad Pitt) já foi apresentado a todos... e a confusão está apenas começando.

A idéia era não ter nenhum ator de renome no elenco, mas Brad Pitt fez questão de participar. O astro de Hollywood gostou tanto de Jogos, Trapaças que marcou uma reunião com o diretor PEDINDO para fazer parte de seu próximo projeto. Sorte de Ritchie. Não só arranjou uma grande estrela para estampar os cartazes do filme, como conseguiu um ótimo ator. Pitt está perfeito na pele de Mickey O'Neil, um esperto cigano com o corpo coberto por tatuagens e dono de um soco matador. As cenas em que ele fala, com um sotaque irlândes incompreensível, são hilárias. Ciganos são bons negociadores. Talvez seja porque ninguém entende o que eles falam, diz o Turco sobre o modo como Mickey e seus amigos fazem negócios.

Em Snatch, o maridão da cobiçada Jennifer Aniston mostra que é bem mais do que um rosto bonitinho. Ele prova que, quando acerta ao escolher um bom roteiro, está entre os melhores atores de sua geração.

Guy Ritchie fez quase um continuação de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Usou vários atores desconhecidos e nos mostrou o lado cômico do submundo do crime, que tanto parece nos entreter. Mais uma vez ele acertou. Resta saber até quando essa fórmula vai funcionar.

Crítica: Juliano Zappia/Omelete

Wap bap looba

Em caixas quadradas
De sorrisos
Pertinentes ou não
Como era branco
E largo o sorriso
A cara limpa
os olhares e os brincos
As vezes de pérolas
As vezes
A vida que chega
Sem avisar
E traz coisas que não se espera
Em noites de sábado
De tédio
George Lucas
Tinha Barba
E o dia
Era um misto
De informações
E fatos
Que transformaram
O futuro em hoje
E a descoberta
Em agora
E a vida
Em vida.

Citações - Parte 6

Sem saber que era impossível, eu fui lá e bebi.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Honoré de Balzac

Honoré de Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850) foi um prolífico escritor francês, notável por suas agudas observações psicológicas. É considerado o fundador do Realismo na literatura moderna.

Sua magnum opus, A Comédia Humana, consiste de 95 romances, novelas e contos, que procuram retratar todos os níveis da sociedade francesa da época, em particular a florescente burguesia após a queda de Napoleão Bonaparte em 1815. Entre seus romances mais famosos figuram A Mulher de Trinta Anos (1831-32), Eugènie Grandet (1833), O Pai Goriot (1834), O Lírio do Vale (1835), As Ilusões Perdidas (1839), A Prima Bette (1846) e O Primo Pons (1847). Desde Le Dernier Chouan (1829), que depois se transformaria em Les Chouans (1829, na tradução brasileira A Bretanha), Balzac denunciou ou abordou os problemas do dinheiro, da usura, da hipocrisia familiar, da constituição dos verdadeiros poderes na França liberal burguesa e, ainda que o meio operário não apareça diretamente em suas obras, discorreu sobre fenômenos sociais a partir da pintura dos ambientes rurais, como em Os Camponeses, de 1844.

Além de romances, escreveu também "estudos filosóficos" (como A Procura do Absoluto, 1834) e estudos analíticos (como a Fisiologia do Casamento, que causou escândalo ao ser publicado em 1829).Balzac tinha uma enorme capacidade de trabalho, usada sobretudo para cobrir as dívidas que acumulava. De certo modo, suas despesas foram a razão pela qual, desde 1862 até sua morte, se dedicou incansavelmente à literatura. Sua extensa obra influenciou nomes como Proust, Zola, Dickens, Dostoyevsky, Flaubert, Henry James, Machado de Assis, Castelo Branco e Ítalo Calvino, e é constantemente adaptada para o cinema. Participante da vida mundana parisiense, teve vários romances, entre eles um célebre caso amoroso, desde 1832, com a polonesa Ewelina Hańska, com quem veio a se casar pouco antes de morrer.

Estilo
A Comédie Humaine ficou inacabada à época de sua morte — Balzac tinha planos de incluir nesta coleção vários outros livros, a maioria dos quais ele não havia sequer iniciado. Viajava muito durante o processo dos livros, e as obras "completas" às vezes eram revisadas entre diferentes edições. Este estilo reflete a própria vida do autor, que sempre foi uma tentativa de estabilização através de suas ficções. "O homem que constantemente desaparece", escreveu V. S. Pritchett, "e que deveria ser perseguido da rua Cassini à … Versailles, Ville d'Avray, Itália, e Viena só poderia construir uma habitação fixa no seu trabalho."

Legado
Honoré de Balzac influenciou significativamente escritores de seu tempo e das próximas gerações. Muitos críticos das mais variadas nações atribuem seus grandes autores como seus Balzacs; Charles Dickens, por exemplo, já foi chamado de "o Balzac inglês" e de fato o autor francês teve certa influência nele. Certos críticos denominam Manuel Antônio de Almeida o "Balzac brasileiro", enquanto que o Frankfurter Allgemeine Zeitung já reservou tal título ao mais recente Jorge Amado.

Machado de Assis também sofreu forte influência de Balzac em seus primeiros escritos realistas. No entanto, ele rompe com a narrativa linear e principalmente com os narradores à modelo de Balzac, Zola e Flaubert, que desapareciam por detrás da objetividade narrativa, e assim escreveu seus grandes romances, como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, com narradores cínicos e que merecem desconfiabilidade, sem, absolutamente, desprezar o caráter social e pessimista que também se encontra em Balzac.De fato, muitos críticos já escreveram aproximações sobre ambos, entre elas uma observação das influências das mulheres balzaquianas nas mulheres de Machado, especialmente Capitu e a A Mulher de Trinta Anos.Dos realistas, contudo, Machado dizia: "Voltemos os olhos para a realidade, mas excluamos o realismo; assim não sacrificaremos a verdade estética." Quanto aos detalhes excessivos presentes em Balzac e em naturalistas como Eça de Queirós, criticou: "essa pintura, esse aroma de alcova, essa descrição minuciosa, quase técnica, das relações adúlteras, eis o mal."

Eça de Queiróz, por sua vez, admirava a Comédie tanto quanto Camilo Castelo Branco. Este escreveu um conjunto de oito narrativas a que deu o nome de Novelas do Minho (1875-1877), explicitamente influenciado em Balzac, enquanto que o primeiro escrevia Cenas da Vida Portuguesa, ciclo de romances destinados a retratar a sociedade portuguesa após o estabelecimento do liberalismo em Lisboa, Portugal, dos quais vieram à luz Os Maias e A Capital, à imagem das cenas sociais que o autor francês fazia de sua França e Paris.

Gustave Flaubert também foi substancialmente influenciado pela escrita de Balzac. Elogiando seu retrato da sociedade, enquanto atacava seu estilo de prosa, certa vez escreveu: "Que homem ele teria sido caso soubesse escrever!" Enquanto desdenhava o rótulo de "realista", Flaubert claramente se focava na atenção de Balzac aos detalhes e em suas descrições da vida "nua e crua" da burguesia. Tal influência se mostra na obra L'education sentimentale de Flaubert, que possui uma dívida com as Illusions Perdues. "Aquilo que Balzac começou", escreveu um crítico, "Flaubert ajudou a terminar".

De maneira semelhante, Marcel Proust também aprendeu com o exemplo realista, e fazia estudos cuidadosos de sua obra, embora tenha criticado o que veio chamar de "vulgaridade" de Balzac. No entanto, seu À la recherche du temps perdu utiliza um exemplo na ancestral história de Balzac chamada Une Heure de ma Vie (Uma Hora da Minha Vida, 1822), em que segue em detalhes reflexões pessoais profundas. Mais tarde, contudo, em sua maturidade, Proust chamou de "loucura" a moda contemporânea de comparar Balzac com Tolstói.

O romancista norte-americano Henry James, por sua vez, talvez tenha sido o mais afetado por Balzac que todos os outros aqui já citados; escreveu quatro ensaios derramando elogios sobre ele (em 1875, 1877, 1902 e 1913), e num desses escritos afirmava: "Grande como Balzac é, ele é todo de uma peça e permanece na perfeição." James se esforçava para manter as motivações psicológicas em detrimento de exibições históricas em seus novelas, e isso aprendeu com Balzac. Ambos autores utilizaram a forma do romance realista para sondar as maquinações da sociedade e da miríade dos motivos do comportamento humano.

A visão de Balzac de uma sociedade na qual o dinheiro, as classes e as ambições pessoais são os principais intervenientes foi endossada por críticos de ambas tendências de esquerda e direita política. O marxista Friedrich Engels escrevia: "Aprendi mais com Balzac do que com todos os outros profissionais, historiadores, economistas e estatísticos juntos." Recebeu elogios de críticos tão diversos como Walter Benjamin e Camille Paglia. Em 1970, Roland Barthes publicou S/Z, detalhada análise sobre a história Sarrasine e uma obra-chave na crítica literária estruturalista. Balzac também tem influenciado a cultura popular. Muitas de suas obras têm sido adaptadas para o cinema, como Cousin Bette de 1998, estrelando Jessica Lange. Ele também é incluído de maneira significativa no filme The 400 Blows (1959) de François Truffaut. Como roteirista, Truffaut creditava Balzac e Proust como os maiores escritores de toda a França.

Lista de obras
Tragédia em versos
Cromwell (1819)
Inconclusas por conta da morte
Le Corsaire (ópera)
Sténie
Falthurne
Corsino

Publicadas em pseudônimo
Como "Lord R'Hoone", em colaboração
L'Héritière de Birague (1822)
Jean-Louis (1822)
Como "Horace de Saint-Aubin"
Clotilde de Lusignan (1822)
Le Centenaire (1822)
Le Vicaire des Ardennes (1822)
La Dernière Fée (1823)
Annette et le Criminal (Argow le Pirate) (1824)
Wann-Chlore (1826)

Publicadas anonimamente
Du Droit d'aînesse (1824)
Histoire impartiale des Jésuites (1824)
Code des gens honnêtes (1826)

Contos
Contes drolatiques (1832–37)
La Grande Bretèche
Um Episódio de Terror

Títulos selecionados da La Comédie Humaine
Les Chouans (1829)
A Mulher de Trinta Anos (1829-1842)
Sarrasine (1830)
La Peau de chagrin (1831)
Le Chef-d'œuvre inconnu (1831)
Le Colonel Chabert (1832)
Le Curé de Tours (1832)
La Fille aux yeux d'or (1833)
Eugénie Grandet (1833)
Le Contrat de mariage (1835)
Le Père Goriot (1835)
Le Lys dans la vallée (1835)
La Rabouilleuse (1842)
Illusions perdues (I, 1837; II, 1839; III, 1843)
La Cousine Bette (1846)
Le Cousin Pons (1847)
Splendeurs et misères des courtisanes (1847)

Peças
L'École des ménages (1839)
Vautrin (1839)
Les Ressources de Quinola (1842)
Paméla Giraud (1842)
La Marâtre (1848)
Mercadet ou le faiseur (1848)

Citações
"A gratidão é uma dívida que os filhos nem sempre aceitam no inventário".

"O remorso é uma impotência. Ele voltará a cometer o mesmo pecado. Apenas o arrependimento é uma força que põe termo a tudo."

"Respeitamos o homem que se respeita."

"A constância é o fundo da virtude."

"Falar de amor é fazer amor."

"O matrimônio deve combater incessantemente o monstro que devora tudo: o hábito."

"É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música."

"O café é a bebida que desliza para o estômago e põe tudo em movimento."

"Os costumes são a hipocrisia das nações."

"A alegria só pode brotar entre as pessoas que se sentem iguais."

Infinito

Faltou você
Na tarde de sabádo
Na noite de sexta
Nos dias que nos encontravámos
E nos perdiamos
Porque tinhamos
Um ao outro
Saudades
As mais sinceras
Saudades.

E sua mãe também


Depois de uma estréia promissora em seu país de origem, o cineasta mexicano Alfonso Cuarón foi tentar a vida no cinema americano, onde fez bons filmes, entre eles A Princesinha e Grandes Esperanças. Após dez anos sem filmar em sua terra natal, Cuarón retornou ao México para realizar o inteligente e sensível E Sua Mãe Também, filme que estréia neste fim de semana nos cinemas brasileiros.

Sua Mãe Também é uma comédia erótico-dramática. Mostra dois amigos adolescentes - Julio (Gael García Bernal) e Tenoch (Diego Luna) - preparando-se para entrar num verão que promete ser dos mais enfadonhos. Suas namoradas foram viajar e ambos estão sozinhos, sem muito o que fazer. Avoados e sem nada na cabeça, Julio e Tenoch são uma espécie de versão mexicana de Beavis e Butthead.


Até que entra em cena a atraente Luísa (Maribel Verdú, de Sedução - Belle Époque), mulher mais velha, casada e européia, que imediatamente chama a atenção dos dois rapazes. Os três decidem ir à praia. Uma simples viagem de alguns dias que definitivamente vai mudar as histórias de suas vidas.

Se nos Estados Unidos este tipo de filme é chamado de "road-movie", talvez no México ele possa ser considerado uma "película-carretera". Nomenclaturas à parte, E Sua Mãe Também retrata várias viagens. Não apenas a física, em que um velho carro passeia descompromissadamente pela miséria e pela intolerância política mexicanas, mas também e principalmente pela psicológica.

Durante três dias, Julio e Tenoch viverão um rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Mudarão os conceitos e as idéias pré-concebidas. Ambos aprenderão a perdoar. Luísa, por sua vez, tem um caminho diferente a empreender. Ela precisará romper as amarras de sua própria repressão para poder ingressar num outro estágio de existência.

O interessante de tudo é que na medida em que os personagens se aprofundam e aprendem a viver, o filme também vai se tornando mais sério. Ele começa quase em ritmo de pornochanchada brasileira dos anos 70. O que é coerente com o estilo de vida dos dois rapazes protagonistas. A mudança de paisagem acompanha a alteração do tom da narrativa. O interior do país, árido, combina com a rudeza das brigas que se sucederão. E quando o trio chega ao azul do mar e à amplidão da praia, é como se as relações humanas entre eles finalmente encontrassem luz própria.

Não por acaso, E Sua Mãe Também ganhou dois prêmios no Festival de Veneza: revelação para os dois atores e roteiro. O filme é a segunda maior bilheteria de um filme mexicano, levando mais de 3,5 milhões de pessoas aos cinemas e superando o badalado Amores Brutos (perdeu apenas para Sexo, Pudor & Lágrimas).

Crítica: Marcelo Hessel/Omelete

Mundo cão

Hoje acordei e queria ser um cachorro
Tomaria um chute
E voltaria sorrindo pra tomar outro
Dormiria até tarde
Ou o dia todo
Beberia aguá no pote
Chamaria meus amigos pra casinha
Pularia bem alto quando estivesse feliz
Deixaria o rabo baixo pra não ser surpreendido
Montaria uma gangue pra fazer cachorradas
Viraria latas de lixo
Dormiria debaixo de toldos nos dias de chuva
E latiria sempre, pra não ser só mais um.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dylan Thomas

Dylan Marlais Thomas (Swansea, 27 de outubro de 1914 – Nova Iorque, 9 de novembro de 1953) foi um poeta galês.

Seu pai era professor da escola primária local e costumava lhe recitar Shakespeare antes que ele pudesse ler. Apesar de tanto seu pai e sua mãe falarem galês, tanto Dylan como sua irmã nunca aprenderam a língua e Dylan escreveu exclusivamente em inglês.

Fascinado pela língua, ele se destacou em inglês e literatura, porém negligenciava as outras matérais, largando a escola com dezessete anos para se tornar reporter junior no Daily Post.
Em dezembro de 1932, ele deixou o trabalho e decidiu concentrar-se na sua poesia em tempo integral. Foi durante esse tempo, que Thomas escreveu mais de metade dos seus poemas.

Em 1934, quando Thomas tinha vinte anos, mudou-se para Londres, ganhou o prêmio Poet's Corner livro, e publicou seu primeiro livro, 18 Poemas, com grande sucesso. O livro era uma coleção de cadernos de poesia que Thomas tinha escrito anos antes, assim como muitos de seus livros mais populares. Durante este período de sucesso, Thomas começou também o hábito de abuso de álcool.

Ao contrário de seus contemporâneos, Thomas Stearns Eliot e W.H. Auden, Thomas não estava preocupado com a exibição de temas de questões sociais e intelectuais, e sua escrita, com o seu lirismo intenso e altamente carregada emoção, tem mais em comum com a tradição romântica. Seus poemas denonstravam influências célticas, bíblicas e do surrealismo inglês.

Aos 35 anos, em 1950, o poeta visitou os Estados Unidos pela primeira vez. Teatral, romântico e dado a porres homéricos, ele se tornou uma figura lendária nos EUA e isso ajudou sua divulgação para o mundo. Thomas tornou-se um ídolo para a geração dos poetas da chamada Geração Beat.

Ele arrebatava platéias com sua voz grave ao ler seus versos em teatros e universidades. Sua influência se espraiou até a música pop. Sabe-se que o jovem cantor e compositor americano Robert Allen Zimmerman adotou o nome Bob Dylan em homenagem ao bardo galês.

Dylan Thomas morreu de alcoolismo, aos 39 anos. Consta que, no dia de sua morte, já com sérios problemas de saúde, ele teria ingerido 18 doses de uísque.

Obras
Poemas
18 Poems, 1934
25 Poems, 1936
Twenty-Six Poems (1950)
In Country Sleep (1952
The Map of Love, 1939
Deaths and Entrances, 1946
In Country Sleep, 1952

Prosa
Collected Letters
Collected Stories
Portrait of the Artist as a Young Dog (1940 Dent)
Quite Early One Morning (posthumous)
Adventures In The Skin Trade And Other Stories (1955, posthumous)
Selected Writings of Dylan Thomas (1946) [OOP]
A Prospect of the Sea (1955) [OOP]
A Child's Christmas in Wales (1955)
Letters to Vernon Watkins (1957)
Rebecca's Daughters (1965)
After the Fair
The Tree
The Dress
The Visitor
The Vest

Drama
Under Milk Wood
The Doctor and the Devils and Other Scripts (1953)

Citações
A bola que lancei quando brincava no parque ainda não tocou o chão.

Um alcoólatra é alguém de quem você não gosta e que bebe tanto quanto você.

Tem alguém me chateando. Acho que sou eu.

Pesadelo

O soco vinha de frente
Tentava me esquivar
Meus reflexos já não eram mais os mesmos
O tempo passou pra mim
Era velho
Eu me olhava de perto e de longe
Era tudo a mesma coisa
A soma de todas as coisas que vivi
Saí pra olhar a rua
Vi jovens ali, alguns andavam felizes
Outros cabisbaixos
O mundo já não era o mesmo
As ruas se abriam abaixo dos meus pés
A carnificina rolava diante dos meus olhos
Homem com homem
Mulher com mulher
Pai com filha
Mãe com filho
Tudo era uma mistura híbrida de um só ser
Ou vários seres
Eu já não conseguia mais definir ou qualificar
Quem é quem
Caí da cama
E acordei
Vi o sol entrar pela janela
Bom pra mim.
Ainda tinha mais uns anos pela frente.

Réquiem para um sonho

Prepare-se para tomar um soco no estômago. Não uma pancada qualquer, mas sim uma das mais fortes porradas cinematográficas dos últimos anos: estréia em todo o Brasil o pesadíssimo drama Réquiem para um Sonho, uma viagem – literalmente – alucinante pelo mundo das drogas. Não o mundo underground, escondido nos becos e bueiros, mas sim o mundo que poderia ser o de qualquer um. Seu, de seus amigos... e até de sua mãe.

A história mergulha no universo de quatro pessoas e seus sonhos: o jovem Harry (Jared Letho, de Psicopata Americano e Clube da Luta) persegue o ideal de riqueza e felicidade. Sua mãe, Sara (Ellen Burstyn, de O Exorcista), entra em estado de ansiedade quando é convidada a participar de um programa de televisão. Marion (Jennifer Connely, a ex-atriz mirim de Era uma Vez na América) quer abrir a própria grife de roupas.

E Tyrone (Marlon Wayans, em papel diametralmente oposto às besteiras que tem feito em Todo Mundo em Pânico) acredita que a droga pode patrocinar estes e outros sonhos. Enquanto a perspectiva do dinheiro fácil seduz os jovens, a ditadura do emagrecimento e da mídia tira Sara de seu frágil eixo emocional. O resultado se assemelha a um trem fantasma que mergulha para uma viagem de horror. Um caminho sem volta em que o vício impera e age como uma missa de réquiem para toda e qualquer perspectiva de vida.

Réquiem Para um Sonho é baseado no livro Last Exit to Brooklin, publicado em 1964 por Hubert Selby Jr., que já havia originado o filme Noites Violentas no Brooklyn, em 1969. Esta nova versão vem com a modernidade da direção do nova-iorquino Darren Aronosfky, cineasta que arrancou elogios da crítica internacional com o drama Pi (ainda inédito nos cinemas paulistanos), que já prepara uma nova versão de Batman para o próximo ano. Em ritmo de videoclipe, Aronosfky usa e abusa da montagem fragmentada, explora super closes, distorce as imagens com lentes em grande angular e cria um universo assustadoramente onírico para seus personagens.

Ellen Burstyn, indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo papel, teve de se submeter a torturantes sessões de maquiagem, que incluíam roupas especiais de até 20 quilos e próteses que chegaram a queimar sua pele. A atriz também vestia uma estrutura especial sobre a qual era montada a câmera de filmagem, tudo em nome dos ângulos inusitados buscados por Aronosfky.

Todas estas alucinações técnica, formal e de conteúdo fazem de Réquiem para um Sonho um perturbador, violento (e sem concessões) manifesto contra as drogas. Um filme que, apesar de ser recomendado para maiores de 18 anos, deveria ser visto pela camada jovem da população e até – polêmicas à parte – exibido em escolas.

Crítica: Celso Sabadin/Cineclick  

De olhos bem abertos

E lá estão eles, os homens do poder, sentados em cima da suas bolas enrugadas, chupadas todos os dias por seus escravos de terno, tentarão amarrar suas mãos, te tapar o olho, mexer com a sua cabeça, te olharão lá de cima e pensarão na possibilidade de dizimar o direito que te foi dado, você apanhará um pouco, ficara com sangue na boca, sorrirá com os dentes que te sobram, se levantará com o corpo dolorido e dirá – NÃO, não acabarão com a gente, não dessa vez, a censura é a forma covarde que encontram de preservar o poder que compraram, e aqui estamos nós, militantes, jovens com ou sem causa, atrapalharemos seu progresso que na verdade é regresso e continuaremos sonhando, a cultura é livre, e nós também somos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mario Vargas Llosa


Jorge Mario Vargas Llosa (Arequipa, 28 de março de 1936) é um escritor, jornalista, ensaista e político peruano, laureado com o Nobel de Literatura de 2010.

Biografia
Nascido em uma família de classe média, único filho de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta, seus pais separaram-se após cinco meses de casamento. Com isto o menino não conheceu o pai até os dez anos de idade. Sua primeira infância foi em Cochabamba, na Bolívia, mas no período do governo José Luis Bustamante y Rivero, seu avô obtém um importante cargo político no governo, em Piura, no norte do Peru, e sua mãe retorna ao Peru, para viver naquela cidade.

Em 1946 muda-se para Lima e então conhece seu pai. Os pais reconciliam-se e, durante sua adolescência, a família continuará vivendo ali.

Ao completar 14 anos, ingressa, por vontade paterna, no Colégio Militar Leôncio Prado, em La Perla, como aluno interno, ali permanecendo por dois anos. Essa experiência será o tema do seu primeiro livro - La ciudad y los perros ("A cidade e os cachorros", em tradução livre), publicado no Brasil como "Batismo de Fogo" e, posteriormente, como A cidade e os cachorros.
Em 1953 é admitido na tradicional Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, a mais antiga da América. Ali estudou Letras e Direito, contra a vontade de seu pai.

Aos 19 anos, casa-se com Julia Urquidi, irmã da mulher de seu tio materno, e passa a ter vários empregos para sobreviver: atua como redator mas também fichando livros e até mesmo revisando nomes em túmulos nos cemitérios. Em 1958 recebe uma bolsa de estudos "Javier Prado" a vai para a Espanha, onde obtém doutorado em Filosofia e Letras, em 19, na Universidade Complutense de Madri. Após isso vai para a França, onde vive durante alguns anos. Em 1964 divorcia-se de Júlia e em 1965 casa-se com a prima Patrícia Llosa, com quem tem três filhos Álvaro, Gonzalo e Morgana.

Obra
Sua obra critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. Seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru. A princípio, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre.

Muitos dos seus escritos são autobiográficos, como "A cidade e os cachorros" (1963), "A Casa Verde" (1966) e "Tia Júlia e o Escrevinhador"(1977). Por A cidade e os cachorros recebeu o Prêmio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prêmio da Crítica de 1963. Sua obra seguinte, A Casa Verde mostra a influência de William Faulkner. O romance narra a vida das personagens em um bordel, cujo nome dá título ao livro. Seu terceiro romance, Conversa na Catedral publicado em quatro volumes e que o próprio Vargas Llosa caracterizou como obra completa, narra fases da sociedade peruana sob a ditadura de Odria em 1950.

Há um encontro, num botequim chamado "La Catedral", entre dois personagens: o filho de um ministro e um motorista particular. O romance caracteriza-se por uma sofisticada técnica narrativa, alternando a conversa dos dois e cenas do passado. Em 1981 publica A Guerra do Fim do Mundo, sobre a Guerra de Canudos, que dedica ao escritor brasileiro Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.

No ano de 2006 Llosa publicou o livro “Cartas a um jovem escritor”, a obra não literária é uma espécie de guia para jovens escritores, mas não se trata de um livro sobre as técnicas desse ofício, mas sim as técnicas do romance. Em uma série de capítulos escritos como se fossem cartas a um jovem ávido por conhecimento da profissão, Llosa discorre sobre o que é imprescindível a criação de um livro. O autor começa afirmando que todas as histórias se alimentam da vida de seu criador, como um “Catoblepas”, que devora a si mesmo, criatura que aparece no livro de Flaubert. Llosa menciona outras obras durante todo o livro. Aborda também o estilo, que deve ser coerente com a história contada, e fazer o leitor viver a obra sem notar que está lendo.

O livro aborda a relação entre narrador e espaço, afirmando que o narrador é o personagem mais importante de todos os romances, pois dele dependem os demais, e, no entanto, ele não deve ser confundido com o autor, já que o primeiro é um personagem fictício. O narrador pode ser um personagem, ser externo a trama, ou ambíguo, o qual não sabemos se está dentro ou fora do mundo narrado. Além disso, várias obras possuem mais de um narrador. O ponto de vista espacial é a relação entre o espaço ocupado pelo narrador e o espaço narrado. Na narração de um personagem esses dois coincidem. Quando o narrador é externo a trama, o mesmo não acontece. Já o narrador ambíguo pode assumir qualquer um desses papéis.

Quanto ao tempo, Llosa afirma que aquele do romance não é igual ao da realidade, mas sim outra forma que o autor pode usar para se desvencilhar da mesma. Quanto ao tempo existe uma distinção simples: o cronológico e o psicológico. O primeiro existe independentemente da subjetividade humana, o segundo se transforma em função de nossas emoções. Outro capitulo trata dos níveis de realidade, a relação entre o plano de realidade em que se situa o narrador e aquele em que se desenrola a história narrada. Nesse caso, também, os planos podem coincidir ou não. Os planos mais claramente autônomos são o “mundo real” e o “mundo fantástico”.

Além das guinadas, alterações em qualquer ponto de vista, espacial, temporal, ou de nível de realidade. E, por fim, Llosa fala sobre a Caixa Chinesa, narrativas que como esses objetos guardam similares (outras histórias) dentro de si. Ele conclui encorajando o leitor, afirmando que esforço, disciplina e leituras sistemáticas podem leva-lo a desenvolver seu próprio estilo.

Em 7 de outubro de 2010 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Literatura pela Academia Sueca de Ciências "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual".

O presidente do Peru, Alan García, considerou o prêmio a Llosa como "um reconhecimento a um peruano universal"

Bibliografia
Ficção
Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros (Brasil) // A Cidade e os Cães (Portugal) ("La ciudad y los perros") (1963)
A Casa Verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Os Filhotes (1967)
Conversa na catedral (Brasil) // Conversa n'A Catedral (Portugal) (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (Brasil) // A Tia Júlia e o Escrevedor (Portugal) (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (Brasil) // A Festa do Chibo (Portugal) (2000)
O Paraíso na Outra Esquina (2003)
Travessuras da Menina Má (2006)
O Sonho do Celta (2010)

Teatro
A menina de Tacna (1981)
Kathie e o hipopótamo (1983)
La Chunga (1986)
El loco de los balcones (1993)
Olhos bonitos, quadros feios(1996)

Ensaio
García Márquez: historia de un deicidio (1971)
Historia secreta de una novela (1971)
La orgía perpetua: Flaubert y «Madame Bovary» (1975)
Contra viento y marea. Volume I (1962-1982) (1983)
Contra viento y marea. Volume II (1972-1983) (1986)
La verdad de las mentiras: Ensayos sobre la novela moderna (1990)
Contra viento y marea. Volumen III (1964-1988) (1990)
Carta de batalla por Tirant lo Blanc (1991)
Desafíos a la libertad (1994)
La utopía arcaica. José María Arguedas y las ficciones del indigenismo (1996)
Cartas a un novelista (1997)
El lenguaje de la pasión (2001)
La tentación de lo imposible (2004)
Sabres e Utopias (2009)

Citações
O esquartejamento da humanidade em blocos rigidamente diferenciados - como em ser negro, muçulmano, cristão, branco, budista, judeu etc - é perigoso porque estimula o fanatismo dos que se consideram superiores.

Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias.

"Devemos buscar a perfeição na criação, na vocação, no amor, no prazer. Mas tudo isso no campo individual. No coletivo, não devemos tentar trazer a felicidade para toda a sociedade. O paraíso não é igual para todos."

Muitos hippies, talvez a maioria, vinham das classes média ou alta, e sua rebeilião era familiar, dirigida contra a vida cheia de regra dos seus pais, contra tudo aquilo que consideravam a hipocrisia dos seus costumes puritanos e as fachadas sociais que disfarçavam seu egoísmo, espírito de isolamento e falta de imaginação. Eles eram extremamente simpáticos com seu pacifismo, seu naturismo, seu vegetarianismo, a esforçada busca de uma vida espiritual que desse transcendência à sua rejeição de um mundo materialista e corroído por preconceitos classistas, sociais e sexuais do qual não queriam nem saber. Mas tudo aquilo era anárquico, espontâneo, sem centro nem direção, sequer idéias, porque os hippies – pelo menos os que eu conheci e observei de perto -, embora se identificassem com a poesia dos beatniks – Allen Ginsberg recitou seus poemas, cantou e dançou música indiana em plena Trafalgar Square diante de milhares de jovens -, na verdade liam bem pouco ou não liam nada. Sua filosofia não se baseava no pensamento e na razão, mas sim nos sentimentos: no feeling.

A literatura não é algo que nos faça felizes, mas ajuda-nos a defendermo-nos da infelicidade.

Só um idiota pode ser totalmente feliz.

Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias.

Olhar de fauno

Não controlo os impulsos
Nem os olhares
Meu corpo treme
Não tenho dominio sobre os sorrisos
Me movo demais
Me perco demais
Me acho
E me perco
E me acho denovo
Descontrole de sentidos
As vezes controlados
Sorriso amarelo
Sorriso vermelho
Hora vem
Hora vai
Existem unhas
Que dizem tanto
Cabelos
E orelhas
Que trazem os olhos pra perto
De fauno
Olhares carnavalescos
De gente distante
E tão perto
Mas tão
Que o perto
É longe
E o longe, é perto
Falta ar
Respiração desregulada
E o batimento pulsante
Pulsa
Pulsa
Pulsa
Bate
Bate
Bate
E mais um dia se vai
E mais um dia se vem
Vai
vem
Vem
Te espero.

Kings of Leon

Kings of Leon é uma banda de rock formada em 2000 em Nashville, Tennessee, Estados Unidos.

História
Formada pelos irmãos Caleb Followill (guitarra e vocal), Jared Followill (baixo), Nathan Followill (bateria) e pelo primo deles Matthew Followill (guitarra) a banda lançou em 2002 o seu primeiro EP, intitulado Holy Roller Novocaine, atraindo então a atenção da crítica inglesa.
Durante toda a infância e começo da adolescência tiveram uma educação muito rígida, estudavam em casa e não lhes era permitido assistir televisão ou ouvir música secular.

Enquanto seu pai ainda fazia parte da associação religiosa, os seus filhos faziam parte da banda da igreja, Leon Followill era um pastor viajante que percorria o sul dos Estados Unidos para pregar nas mais diferentes Igrejas e levava consigo seus filhos.

Youth and Young Manhood (2003)
Em julho de 2003, foi lançado o disco Youth and Young Manhood, primeiro da banda, alcançando sucesso em todo o mundo, principalmente na Inglaterra. O álbum foi eleito pela imprensa inglesa entre os 10 melhores discos de estréia dos últimos 10 anos. Canções como Red Morning Light, Happy Alone, California Waiting e Molly's Chambers são os destaques do álbum.

Aha Shake Heartbreak (2004-2005)
Em novembro de 2004, foi lançado o segundo álbum da banda, este intitulado Aha Shake Heartbreak (lançamento em novembro de 2004 no Reino Unido, em fevereiro de 2005 nos Estados Unidos e em abril no restante do mundo). Precedido pelo single The Bucket que saiu em outubro, o álbum reafirmou a presença da banda no cenário internacional, vendendo mais de 500 mil cópias na Inglaterra em um ano e ganhando disco duplo de platina no Reino Unido. Destaques para King Of The Rodeo, Slow Night, So Long, Pistol of Fire, The Bucket e Four Kicks.

Durante esse tempo eles se tornaram uma das bandas prediletas de grandes nomes do 'Rock', foram escolhidos por Bono Vox para abrir cerca de 20 shows do U2 em sua turnê pelos Estados Unidos em 2005. Em 2005 também o 'Kings' precedeu o show dos Strokes no TIM Festival em 2005 (Rio, Curitiba e SP). Em 2006 saíram em turnê com o Pearl Jam e o Bob Dylan abrindo seus respectivos shows, assim como foram anunciados pela Chrissie Hynde do The Pretenders como uma de suas bandas favoritas.

Because of The Times (2007)
Em abril de 2007, é lançado o mais esperado álbum da banda com o título Because of The Times - em alusão a uma conferência americana de mesmo nome, é uma reunião de bispos e pastores protestantes, em que ocorrem vários eventos relacionados à igreja e à fé cristã e que os três irmãos costumavam frequentar todos os anos quando crianças acompanhando o seu pai e ex-ministro pentecostal Leon Followill. Lançado simultaneamente após o single On Call - que conta também com a ótima My Third House. Em julho de 2007, foi lançado o single Fans que também conta com a nova música Woo Hoo. Entretanto não há previsão para o lançamento do álbum no Brasil.

No álbum é perceptível a evolução da banda e a vasta criatividade que eles consolidaram. Após o lançamento, o álbum liderou por várias semanas as paradas britânicas e atingiu o 25º lugar nos Estados Unidos, um feito considerável para eles que até então eram aclamados na terra dos Beatles e pouco conhecidos em seu país natal. Entraram simultaneamente nas paradas da Austrália, Nova Zelândia e Irlanda.

Os destaques do álbum: Knocked Up, faixa de 7 minutos que abre o álbum e a música preferida dos membros da banda. Charmer com os gritos de Caleb Followill, On Call com sua introdução experimental e uma linha impecável no baixo. McFearless apelidada pela banda de "McFantastic", o Rock Arena de Black Thumbnail, os experimentos vocais de My Party em que Caleb Followill utiliza dois microfones, o reggae Ragoo, a dançante Fans uma balada com forte influência do booggie (ritmo dançante dos anos 70) em homenagem a seus fâs britânicos e a última música do álbum Arizona, faixa com influência soul na qual após o 2º refrão Matthew Followill toca triângulo.
Para a crítica, este é o melhor álbum da banda até o momento, que apresenta canções com letras reflexivas e ao mesmo tempo expõe de forma definitiva a originalidade e criatividade da banda para compor.

Only by the Night (2008)
Intitulado Only by the Night, é o quarto álbum da banda, lançado dia 19 de Setembro de 2008, na Irlanda, Alemanha e Austrália, e em 22 e 23 de setembro, no Reino Unido e Estados Unidos respectivamente, e agora, com lançamento mundial - incluindo Brasil.
O álbum mais aclamado da banda, com recordes de venda e que conquistou o público norte-americano, que tinha algum receio pela banda que era proveniente da terra do Tio Sam e tinha um estilo um tanto quanto sulista.

Eleito o melhor álbum de 2008 por diversos órgão especializados, presente em diversas categorias em premiações musicais pelo mundo e indicado à três Grammys.

No 52º Grammy Awards, realizando em Los Angeles, nos Estados Unidos,o KOL foi indicado a 4 prêmios: ganhou melhor performance de rock (Use Somebody) e melhor canção de rock (Use Somebody), perdeu canção do ano e ainda ganhou como gravação do ano.

O álbum mostra a evolução da banda, assim como novas influências, talvez Only By The Night seja o álbum que mais fuja do estilo "Southern Rock" da banda, evoluindo para algo próximo ao post-grunge (ou grunge como declarado pelos próprios), e ao indie, talvez proveniente da paixão da banda pelo cenário do Reino Unido. Destaque para as faixas Sex On Fire, Use Somebody, Crawl e Closer.

Come Around Sundown (2010)
Come Around Sundown é o quinto álbum de estúdio da banda norte-americana de rock Kings of Leon, lançado em 15 outubro de 2010 na Alemanha, 19 de outubro no Reino Unido e 19 de outubro nos Estados Unidos. Estreou na segunda posição da Billboard 200, com 184 mil cópias vendidas na primeira semana. O primeiro single deste álbum, "Radioactive", estreou em 8 de setembro no site oficial da banda e ao mesmo tempo foi liberado um video clipe para a canção. No dia seguinte, a música estreou oficialmente nas rádios da Austrália. Em uma entrevista o vocalista e guitarrista, Caleb Followill, informou que esse disco teria referências como Nirvana e Pearl Jam, sendo assim, o disco se tornaria mais grunge.

Discografia
Álbuns de Estúdio
2003 - Youth and Young Manhood
2004 - Aha Shake Heartbreak
2007 - Because of The Times
2008 - Only by the Night
2010 - Come Around Sundown

Onde baixar os discos

Fonte: Wikipidea e Alguns Sons